Texto 24/52 – Finalmente saiu

Em 2013 tive a ideia de fazer uma foto por dia. E foi muito legal. Para 2014 a ideia era escrever um texto por semana. Mas escrever é mais difícil que fotografar e o projeto atrasou tanto que este é o post de fechamento do projeto. 2 posts saíram em jornal, ambos relacionados ao cicloativismo. Para 2015 não programei nada. Mas para 2016, como não consegui concluir o projeto de 2014, acho que tentarei escrever um texto por semana. Vamos ver se conseguirei concluir isso.

Texto 22/52 – O tempo se armou de fato…

Sábado passado (20/12/2014) ocorreu um assustador vendaval em Santana do Livramento e Rivera. Segundo li e ouvi, o vento passou por aqui (e seguiu pelo estado) chegou a mais de 200 km/h.

Oito torres de 600 toneladas da Usina Eólica foram derrubadas pelo vento, e uma grande quantidade de casas ficaram destelhadas. As arvores e postes de luz que não foram ao chão, ficaram penduradas ou ficaram retorcidas. Apenas uma morte foi confirmada na fronteira Livramento-Rivera, até o momento.

Fotos e vídeos estão pipocando na internet (principalmente no Facebook) sobre o incidente. Os amigos Daniel Badra, Fabian Ribeiro, PauloEstradeiro Fotografia trabalharam bastante esse fim de semana.

Abaixo, alguns links públicos que encontrei sobre o acontecimento aqui em Santana do Livramento.

Texto 21/52 – Mapa cicloviário de Santana do Livramento e Rivera

mapaCicloviario

A alguns meses encontrei no site Transporte Ativo um mapa cicloviário do Rio de Janeiro.  O projeto é código aberto (embora não tenha uma declaração explicita no site) e então resolvi fazer a versão para o de Livramento e Rivera. O mapa está em constante atualização e pode ser acessado em http://mapa.rafaelamorim.com.br

Agradeço ao site VaDeBike.org juntamente com Nighto e Transporte Ativo que tornaram esta ferramenta acessível à todos. Quem quiser ver a lista de cidades mapeadas pode abrir o esse link. Quem quiser saber como funciona ou fazer o mapa de outras cidades, clique aqui.

Contribuições para a melhoria do mapa são sempre bem vindas. Entre em contato.

Texto 20/52 – O que faz o pessoal de TI

Há tempos noto que a maioria das pessoas não sabe o que o pessoal de TI faz. Uns acham que a passamos o dia divididos entre jogos, redes sociais, filmes e vídeos engraçadinhos. Atualmente a minha diversão é ver o pessoal passando no corredor e ficar espantado com a minha mesa de trabalho.

MinhaMesa

Já me perguntaram (mais de uma vez) se com quatro monitores fica mais legal jogar flight simulator. Nunca soube responder pois não jogo. Qualquer dia escrevo sobre como trabalhar com 4 monitores 🙂

Na teoria

Segundo a wikipedia1, “A Tecnologia da Informação (TI) pode ser definida como o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos de computação que visam permitir a produção, armazenamento, transmissão, acesso, segurança e o uso das informações. Na verdade, as aplicações para TI são tantas – estão ligadas às diversas áreas – que há várias definições para a expressão e nenhuma delas consegue determiná-la por completo. É a área de informática que trata a informação, a organização e classificação de forma a permitir a tomada de decisão em prol de algum objetivo. A Tecnologia da informação pode contribuir para alargar ou reduzir as liberdades privadas e públicas, ou tornar-se em instrumento de dominação

Na prática (visão das pessoas em geral)

As pessoas acham que devemos saber a operar tudo o que é ligado na tomada e/ou tem botões e leds. Isso inclui uma quantidade absurda de coisas, desde controle de ar condicionado até mesa de som digital (e aquela tem botão pra caramba). Além disso, devemos saber fazer “programinhas” (com dezenas de necessidades) em tempos incrivelmente curtos. Uma vez me disseram que posso programar muito e dormir muito pouco, pois passo o dia sentado no computador sem me movimentar muito. Vida de TI não é mole.

Na prática (na minha visão atual, e dentro do contexto do meu trabalho)

Trabalhamos arduamente para  que os usuários usem os computadores, sistemas e demais equipamentos sem lembrar da gente, já que somos de uma atividade meio. Quando os usuários lembram da gente é porque sistema, impressora, internet, arquivos de rede, VOIP, data show ou computador parou de funcionar. O ideal é que pare uma coisa de cada vez. Agora se parou tudo2….

Referencias:

1: Tecnologia da informação 
2: Replygif

Texto 19/52 – A arte de veranear no RS

Recebi essa por e-mail de um colega em 2012. E resolvi colocar aqui. Não procurei o autor, e se alguém apontar a fonte eu coloco aqui.


 

Para conhecimento nacional e reconhecimento regional:

Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.

Não sei se vocês, ai de cima – do Brasil -, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do mundo: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada!

Apenas uma linha reta, areia de um lado, o mar do outro.

Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina. Característica nossa, não gostamos de intermediários.

Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia.
Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.

O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa.

É marrom!

Cor de barro iodado, é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.

Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra. Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.

Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul, cuja origem é a Antártida.

O nordestão é vento com grife e estilo…. estilo vendaval.

Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa. A propósito, provoca um fenômeno único no universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água.

Outra coisa: nosso mar é pra macho!

Água gelada, vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.

Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do Sul: Caça ao guardassol. Guardassol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo, em pequenas cadeiras de alumínio que não agüentam seu peso e se enterram na areia. Chega o nordestão e… lá se vai o guardassol, voando alegremente pela orla e você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.

O vento sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.
Raramente, mas acontece, somos brindados com o vento leste, aquele que vem diretamente do mar para a terra. Aqui no Sul, chamamos o vento leste de ‘vento cultural’, porque quando ele sopra, apreendemos cientificamente como se sentem os camarões cozinhados ao bafo.

E, em todos os veraneios, acontece aquele dia perfeito: nenhum vento, mar tranquilo e transparente, o comentário geral é: “foi um dia de Santa Catarina, de Maceió, de Salvador” e outras bichices. Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar. Mas fala-se dele pelo resto do veraneio, pelo resto do ano, até o próximo verão.

Morram de inveja, esta é outra das coisas de gaúcho!

Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados.

A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato porque fica longe do mar, cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta, quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno. Você vai lá e compra um.

Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete, se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.

Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo é claro ao plano-diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo.

O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro.
Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos, colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV à cabo, plasma ou LCD, linhas telefônicas, enfim, veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval. Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar parados nas nossas praias.

Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite. Quase todos na mesma hora, ida e volta.

É assim que, na sexta-feira, pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.

Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite.E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio. Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo:

– Graças a Deus que terminou essa bosta de veraneio!