Texto 19/52 – A arte de veranear no RS

Recebi essa por e-mail de um colega em 2012. E resolvi colocar aqui. Não procurei o autor, e se alguém apontar a fonte eu coloco aqui.


 

Para conhecimento nacional e reconhecimento regional:

Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.

Não sei se vocês, ai de cima – do Brasil -, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do mundo: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada!

Apenas uma linha reta, areia de um lado, o mar do outro.

Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina. Característica nossa, não gostamos de intermediários.

Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia.
Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.

O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa.

É marrom!

Cor de barro iodado, é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.

Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra. Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.

Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul, cuja origem é a Antártida.

O nordestão é vento com grife e estilo…. estilo vendaval.

Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa. A propósito, provoca um fenômeno único no universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água.

Outra coisa: nosso mar é pra macho!

Água gelada, vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.

Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do Sul: Caça ao guardassol. Guardassol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo, em pequenas cadeiras de alumínio que não agüentam seu peso e se enterram na areia. Chega o nordestão e… lá se vai o guardassol, voando alegremente pela orla e você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.

O vento sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.
Raramente, mas acontece, somos brindados com o vento leste, aquele que vem diretamente do mar para a terra. Aqui no Sul, chamamos o vento leste de ‘vento cultural’, porque quando ele sopra, apreendemos cientificamente como se sentem os camarões cozinhados ao bafo.

E, em todos os veraneios, acontece aquele dia perfeito: nenhum vento, mar tranquilo e transparente, o comentário geral é: “foi um dia de Santa Catarina, de Maceió, de Salvador” e outras bichices. Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar. Mas fala-se dele pelo resto do veraneio, pelo resto do ano, até o próximo verão.

Morram de inveja, esta é outra das coisas de gaúcho!

Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados.

A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato porque fica longe do mar, cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta, quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno. Você vai lá e compra um.

Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete, se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.

Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo é claro ao plano-diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo.

O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro.
Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos, colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV à cabo, plasma ou LCD, linhas telefônicas, enfim, veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval. Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar parados nas nossas praias.

Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite. Quase todos na mesma hora, ida e volta.

É assim que, na sexta-feira, pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.

Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite.E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio. Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo:

– Graças a Deus que terminou essa bosta de veraneio!

Texto 18/52 – Sabe o que estás cantando?

Muitas vezes gostamos de uma música pelo som que chega nos ouvidos e não pela letra em si. Deve ser por isso que ultimamente escuto mais musicas “tocadas” do que “cantadas”. 2 Cellos e Apocalyptica andam em alta nas minhas playlists a algum tempo. Quando alguma musica tem letra, corro para o letras.mus.br ou o vagalume.com.br. São sites bem interessantes onde os visitantes podem postar a tradução das musicas. Ou corrigir alguma coisa nas traduções existentes.

A história a seguir não ocorreu exatamente dessa forma, mas ilustra bem a questão. Em linhas gerais ela está la. Só omiti/mudei algumas partes para não identificar ninguém 🙂

Uma vez um colega de trabalho cantava animadamente uma musica em inglês. Perguntei pra ele se ele sabia o que estava cantando. Ele não sabia, e nesse momento percebi que o bichinho da curiosidade já tinha feito a parte dele. Enquanto a página com a tradução carregava, todo mundo já tinha parado as atividades pra ver o que ia sair. O riso foi geral.O colega em questão prometeu nunca mais cantar uma musica sem conhecer bem a letra. E eu também peguei isso por habito.

E você leitor, que com bravura e coragem chegou até essa parte do texto ruim pra caramba. Já cantarolou alguma musica sem saber o que realmente dizia?

Pra quem foi mordido pelo bichinho da curiosidade, clique aqui.

Texto 17/52 – O roubartilhamento de imagens

A muito tempo uso o Flickr como canal de divulgação das minhas imagens. Mas no começo não tinha o hábito de colocar marca d’água.

Em julho recebi uma mensagem pelo Flickr de uma pessoa solicitando usar uma foto minha em um “projeto”. Como não tinha uma posição definida sobre o uso da imagem ou não, demorei a responder. A imagem solicitada é essa aqui:

Passado uns quantos dias,  o Facebook me mostrou que alguns amigos haviam curtido uma página, e a foto do topo da página me pareceu suspeita. Fui olhar com mais calma e, que surpresa, era a minha foto. E ela foi publicada no mesmo dia em que o pedido de uso foi feito. Respondi aquela mensagem pendente. Com duas opções:

1) Removia a imagem do site e publicava um pedido de desculpas pelo uso indevido da imagem OU;
2) Depositava um valor referente ao direito de uso da imagem;

Após alguns dias, recebi uma mensagem informando que a foto seria removida e o pedido de desculpas pelo uso indevido da imagem.

desculpas

Na metade do mês encontrei a mesma foto em um outro perfil. Evidentemente que sem a menor menção de onde a imagem foi retirada (ou o autor). Mas como é em um perfil pessoal não vou esquentar.

Qualquer dia desses escrevo um texto com a parte jurídica do roubartilhamento de imagens. Ainda que disponível na internet (de forma publica ou privada), as imagens tem um dono e esses tem seus direitos.

Texto 16/52 – Minha primeira (e a segunda também) cicloviagem

Estou para escrever esse texto desde março. E é em momentos assim que eu vejo como o #52Textos está atrasado 🙁

Na terça feira de carnaval (04/03/2014), ainda com a Winner Zeta, me aventurei em uma ciclo viagem. Nada grande, mas para quem estava com uns 123 Kg, sem preparo nenhum em pedaladas de mais de uma hora (ou 25km), foi algo assustador.

Saí de casa por volta das 9hs da manhã. Esse foi o primeiro erro. O segundo foi não ter levado filtro solar. Se seguir por essa linha, só listarei os erros. Melhor parar 🙂

Depois dos 45km o rendimento caiu absurdamente. Assim, considerando a demora, a falta de sinal do celular, falta de condicionamento físico, fui resgatado pela Cássia aos 74km de casa. Como estava muito cansado, nem reclamei. Coloquei a bicicleta no carro e fui para o almoço.

Ao todo foram 5 horas. Dessas, fiz 1hr de parada e em 4hs pedalando. Levei 2 garrafas de água, 1 de isotônico e 4 barras de cereal. Fui dosando a quantidade de isotônico a cada parada (1 gole curto no máximo) e meia barra de cereal a cada hora pedalada (mais ou menos).

Como não forcei o ritmo, no outro dia de manhã a sensação era que não tinha pedalado os 74 km. Mesmo não conseguindo chegar em Dom Pedrito, fui uma vitória pra mim.


Não satisfeito por não ter conseguido concluir a viagem de bicicleta, e desafiado convidado pelo cunhado, partimos no ultimo 7 de setembro. Dessa vez saímos às 06:00, mas ainda sim esqueci do filtro solar 😛


Na primeira ciclo viagem não gravei a pedalada pois fiquei com medo de ficar sem bateria. Mas em dupla tive coragem e gravei tudo. Obrigado Strava.

Recebemos lanche das equipes familiares no meio do caminho. O que foi ótimo, pois carboidrato só tinha nas barras de cereal e no isotônico, e chegou uma hora que isso já não estava enchendo a barriga 🙂

Nos últimos 20km o Estevam cansou muito. A bicicleta dele, com dupla suspensão, cansa MUITO MAIS do que a minha (que não tem suspensão nenhuma). Eu sei bem como é, pois passei isso na primeira ciclo viagem.

Depois de 8 horas entre pedal e descanso, chegamos a Dom Pedrito. A ida e volta completa no pedal ficou para outra data. Algumas fotos estão no post. As demais estão aqui (1ª ciclo viagem) e aqui (2ª ciclo viagem).

Texto 15/52 – Leve 3. Pague 2. Ou quase isso

Antes de mais nada, não direi em qual empresa esse episódio aconteceu. Mas o referido estabelecimento é grande, está passando por uma passando por uma reforma e fica localizado em uma avenida com nome de presidente. Entenderes entenderão 🙂

Fui em uma empresa para comprar alguns produtos. Olhando na prateleira, vi que o produto que escolhi estava custando R$6,98. E que na de baixo um pacote com 3 unidades estampava uma etiqueta “Leve 3. Pague 2”. Não pensei duas vezes e para aproveitar o preço, peguei 2 pacotes. Por algum motivo que desconheço dei uma conferida no preço que estava na etiqueta (não tenho esse hábito). E lá dizia R$ 16,90. Aí a conta não fechou. Se a etiqueta dizia leve 3 e pague 2, eu deveria pagar R$ 6,90 * 2 = R$ 13,96 e não R$ 16,90. Conclui as compras e fui pro caixa. Pedi o desconto, afinal estava com a razão. Enquanto o fiscal verificava se o choro era válido ou não, a atendente do caixa contou que SEMPRE escolhe pacotes com essa etiqueta, mas nunca havia feito a conta pra ver se estava pagando 2 ao levar 3. E depois de uns 15 minutos esperando, consegui o desconto. E nenhum pedido de desculpas pela tentativa de roubo.