Tabuleiro de xadrez pra minha filha. Eu que fiz :-)

A uns 2 anos demos de presente pra Malu um tabuleiro de xadrez. Ensinei o básico do jogo e a guria adorou. Não jogamos tanto quanto gostaria, mas algumas vezes ela ganhou sem eu me dar conta.

Malu jogando xadrez - 1

No inicio do ano prometi que faria um tabuleiro em madeira pra ela para ficar pronto até o aniversário, em setembro. Comecei a estudar como faria, onde compraria as peças, como ela guardaria as peças. O projeto inicial era:

  • Usar madeira de 5cm X 5cm para fazer os quadrados;
  • Colar as peças sobre um quadrado de MDF para dar estrutura;
  • Fazer uma caixa na parte inferior para guardar tudo;

Comprei 2 metros de madeira 5cm X 5cm, sendo 1m de pinus e 1m de cedro. Depois de fazer uns 20 cortes, comecei a colar as peças em grupos de 4 para ir formando o tabuleiro. Mas as peças não se encaixavam. Ao medir as peças, descobri que a madeira não estava bem cortada. De um lado ela era 5×5, mas do outro era 4,6cm X 4,7cm. Esse plano precisava ser revisto.

Conversei com um vizinho que tem marcenaria e pedi a ele que, se possível, deixasse as madeiras com 4,5 cm X 4,5cm ou ainda 4cm X 4cm. Ele disse que faria 2 ripas de 4,5cm X 1cm X  2m  (L x A x P) e que eu cortasse essa peça em quadrinhos. Ai ficaria mais fácil pra mim. Confesso que na hora não entendi direito mas agradeci, afinal ele é o profissional.

Quando recebi as madeiras, entendi o que precisava fazer e comecei. Já na primeira noite de trabalho vi que ia ficar bonito. Essa foto é do inicio de julho.

Depois de ter cortado a mão as 64 casas e as 4 bordas, chegou a vez de cortar o fundo e montar. Tirando um erro pequeno aqui e outro ali. o resultado ficou muito bom. Passei massa para madeira para cobrir alguns vão que ficaram entre as peças antes de lixar e envernizar. Pra não sujar os quadrados com massa, passei fita crepe para proteger tudo. Essa foto já é do fim de julho.IMG_20160726_140019495 - editado

Dessa fase em diante, a Malu não viu mais o tabuleiro. Disse pra ela que não ia conseguir finalizar até o aniversário e pra minha surpresa, ela disse que tudo bem. Que eu podia demorar o tempo que fosse preciso por que era eu quem estava fazendo :’-)

Em agosto, finalizei o tabuleiro e encomendei as peças. Ainda precisava do compartimento para guardar as peças. Inicialmente queria uma caixa que servisse de base para o tabuleiro, mas no decorrer do projeto vi que a melhor opção seria uma maleta, para não ficar um conjunto nem muito pesado, nem muito grande para ela poder transportar. A opção recaiu sobre uma maleta em MDF, onde foi aplicado lâmina de madeira com acabamento em verniz. Foi a primeira vez que trabalhei com essa técnica. Deu trabalho e gostei do resultado. Por dentro, apliquei feltro para proteger as peças. O resultado final foi esse:

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E o primeiro uso já foi nesse dia. E ela ganhou a partida com um movimento do cavalo que eu não percebi.

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Uma solução para o NavSincro Lite

Dia desses recebi um pedido de um amigo para ver se havia atualização no GPS dele, um NavCity Way 40.

Navcity_way40

Fonte: NavCity

Encontrei no site do fabricante a informação de que poderia atualizar o aparelho após baixar e instalar um aplicativo. O site é o http://www.navcity.com.br/navsincro.php. Mas link para download não funciona. Depois de pesquisar, descobri que o download do aplicativo teria que ser feito pelo site http://www.hunteradar.com.br/site/downloads.php.

Depois de baixado e instalado, começam as dores de cabeça. O programa abre e na sequencia, fecha. Achei que era versão do windows (Windows 10 64 bits). Tentei no Windows Vista (sim, tenho ele rodando em um pc velho). Mesmo erro. Culpei o Windows 10 por ser novo e o Windows Vista por ser o Vista. Em modo de compatibilidade em ambos os sistemas, o programa exibiu o mesmo comportamento.

Nesse meio tempo encontrei vários usuários com o mesmo problema, mas sem nenhuma ideia de solução. Nem via reclame aqui o fabricante deu uma solução. E são umas quantas reclamações.

Hoje instalei o aplicativo no PC do trabalho, que roda Windows 7 32 bits. O programa abre e fecha. Via modo de compatibilidade, desci a versão do Windows até o windows 95. Nada. Fui no diretório da instalação do aplicativo e encontrei no arquivo chamado debug.txt informações sobre o problema. E por tabela a “solução”. E essa “solução” serve para todas as versões do GPS que usam o NavSincro Lite: Way 30, Way 40, Way 45, Way 55, Way 75, NC750, NC550, NC540, NC450, NC440, NC500, NC430, NC350, NC300, NAV 400 e NAV 430.

A solução é simples: COMPRE OUTRO APARELHO OU COMPRE OUTRO APLICATIVO PARA O APARELHO. Segundo li, é possível instalar o iGO no WAY 40, mas como esse aparelho não é meu tenho que ver com o dono o que será feito. Nos outros modelos eu não sei.

A explicação:

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 INÍCIO DO LOG - Atualizador da base de radares
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 Hora: 18/12/2015 XX:XX:XX
 Versão do Sistema Operacional: Microsoft Windows NT 6.1.7601 Service Pack 1
 Versão do .NET Framework: 2.0.50727.5485
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Verificando versões dos aplicativos...
 Url de versões sendo acessadas: http://www.servdados.net/atualizador/versaoNavSincroLite.txt
 Stream de versões NULL. Falha.

Tentei acessar via browser esse link, sem sucesso. Tentei acessar o raiz do site (www.servdados.net), sem sucesso também. Via Whois. Os DNS apontam para tgssolucoes.com.br que também está fora do ar.

E é isso. Se algum dia o sistema voltar a vida, aviso por aqui.

Texto 24/52 – Finalmente saiu

Em 2013 tive a ideia de fazer uma foto por dia. E foi muito legal. Para 2014 a ideia era escrever um texto por semana. Mas escrever é mais difícil que fotografar e o projeto atrasou tanto que este é o post de fechamento do projeto. 2 posts saíram em jornal, ambos relacionados ao cicloativismo. Para 2015 não programei nada. Mas para 2016, como não consegui concluir o projeto de 2014, acho que tentarei escrever um texto por semana. Vamos ver se conseguirei concluir isso.

Texto 21/52 – Mapa cicloviário de Santana do Livramento e Rivera

mapaCicloviario

A alguns meses encontrei no site Transporte Ativo um mapa cicloviário do Rio de Janeiro.  O projeto é código aberto (embora não tenha uma declaração explicita no site) e então resolvi fazer a versão para o de Livramento e Rivera. O mapa está em constante atualização e pode ser acessado em http://mapa.rafaelamorim.com.br

Agradeço ao site VaDeBike.org juntamente com Nighto e Transporte Ativo que tornaram esta ferramenta acessível à todos. Quem quiser ver a lista de cidades mapeadas pode abrir o esse link. Quem quiser saber como funciona ou fazer o mapa de outras cidades, clique aqui.

Contribuições para a melhoria do mapa são sempre bem vindas. Entre em contato.

Texto 19/52 – A arte de veranear no RS

Recebi essa por e-mail de um colega em 2012. E resolvi colocar aqui. Não procurei o autor, e se alguém apontar a fonte eu coloco aqui.


 

Para conhecimento nacional e reconhecimento regional:

Está chegando o verão e com ele o veraneio, como chamamos aqui no Sul.

Não sei se vocês, ai de cima – do Brasil -, sabem, mas temos o mais fantástico litoral do mundo: de Torres ao Chuí, uma linha reta, sem enseadas, baias, morros, reentrâncias ou recortes. Nada!

Apenas uma linha reta, areia de um lado, o mar do outro.

Torres, aliás, é um equívoco geográfico, contrário às nossas raízes farroupilhas e devia estar em Santa Catarina. Característica nossa, não gostamos de intermediários.

Nosso veraneio consiste em pisar na areia, entrar no mar, sair do mar e pisar na areia.
Nada de vistas deslumbrantes, vegetações verdejantes, montanhas e falésias, prainhas paradisíacas e outras frescuras cultivadas aí para cima.

O mar gaúcho não é verde, não é azul, não é turquesa.

É marrom!

Cor de barro iodado, é excelente para a saúde e para a pele! E nossas ondas são constantes, nem pequenas nem gigantes, não servem para pegar jacaré ou furar onda. O solo do nosso mar é escorregadio, irregular, rico em buracos. Quem entra nele tem que se garantir.

Não vou falar em inconvenientes como as estradas engarrafadas, balneários hiper-lotados, supermercados abarrotados, falta de produtos, buzinaços de manhã de tarde e de noite, areia fervendo, crianças berrando, ruas esburacadas, tempestades e pele ardendo, porque protetor solar é coisa de fresco e em praia de gaúcho não tem sombra. Nem nos dias de chuva, quase sempre nos fins-de-semana, provocando o alegre, intermitente, reincidente e recorrente coaxar dos sapos e assustadoras revoadas de mariposas.

Dois ventos predominam, em nosso veraneio: o nordeste – também chamado de nordestão – e o sul, cuja origem é a Antártida.

O nordestão é vento com grife e estilo…. estilo vendaval.

Chega levantando areia fina que bate em nosso corpo como milhões de mosquitos a nos pinicar. Quem entra no mar, ao sair rapidamente se transforma no – como chamamos com bom-humor – veranista à milanesa. A propósito, provoca um fenômeno único no universo, fazendo com que o oceano se coloque em posição diagonal à areia: você entra na água bem aqui e quando sai, está a quase um quilômetro para sul. Essa distância é variável, relativa ao tempo que você permanecer dentro da água.

Outra coisa: nosso mar é pra macho!

Água gelada, vai congelando seus pés e termina nos cabelos. Se você prefere sofrer tudo de uma vez, mergulhe e erga-se, sabendo que nos próximos quinze minutos sua respiração voltará ao normal: é o tempo que leva para recuperar-se do choque térmico.

Noventa por cento do nosso veraneio é agraciado pelo nordestão que, entre outras coisas, promove uma atividade esportiva praiana, inusitada e exclusiva do Sul: Caça ao guardassol. Guardassol, você sabe, é o antigo guarda-sol, espécie de guarda-chuva de lona, colorida de amarelo, verde, vermelho, cores de verão, enfim, cujo cabo tem uma ponta que você enterra na areia e depois senta embaixo, em pequenas cadeiras de alumínio que não agüentam seu peso e se enterram na areia. Chega o nordestão e… lá se vai o guardassol, voando alegremente pela orla e você correndo atrás. Ganha quem consegue pegá-lo antes de ele se cravar na perna de alguém ou desmanchar o castelo de areia que, há três horas, você está construindo com seu filho de cinco anos.

O vento sul, por sua vez, é menos espalhafatoso. Se você for para a praia de sobretudo, cachecol e meias de lã, mal perceberá que ele está soprando. É o vento ideal para se comprar milho verde e deixar a água fervente escorrer em suas mãos, para aquecê-las.
Raramente, mas acontece, somos brindados com o vento leste, aquele que vem diretamente do mar para a terra. Aqui no Sul, chamamos o vento leste de ‘vento cultural’, porque quando ele sopra, apreendemos cientificamente como se sentem os camarões cozinhados ao bafo.

E, em todos os veraneios, acontece aquele dia perfeito: nenhum vento, mar tranquilo e transparente, o comentário geral é: “foi um dia de Santa Catarina, de Maceió, de Salvador” e outras bichices. Esse dia perfeito quase sempre acontece no meio da semana, quando quase ninguém está lá para aproveitar. Mas fala-se dele pelo resto do veraneio, pelo resto do ano, até o próximo verão.

Morram de inveja, esta é outra das coisas de gaúcho!

Atenta a essas questões, nossa indústria da construção civil, conhecida mundialmente por suas soluções criativas e inéditas, inventou um sistema maravilhoso que nos permite veranear no litoral a uma distância não inferior a quinhentos metros da areia e, na maioria dos casos, jamais ver o mar: os famosos condomínios fechados.

A coisa funciona assim: a construtora adquire uma imensa área de terra (areia), em geral a preço barato porque fica longe do mar, cerca tudo com um muro e, mal começa a primavera, gasta milhares de reais em anúncios na mídia, comunicando que, finalmente agora você tem ao seu dispor o melhor estilo de veranear na praia: longe dela. Oferece terrenos de ponta a ponta, quanto mais longe da praia, mais caro é o terreno. Você vai lá e compra um.

Enquanto isso a construtora urbaniza o lugar: faz ruas, obras de saneamento, hidráulica, elétrica, salão de festas comunitário, piscina comunitária com águas térmicas, jardins e até lagos e lagoas artificiais onde coloca peixes para você pescar. Sem falar no ginásio de esportes, quadras de tênis, futebol, futebol-sete, se o lago for grande, uma lancha e um professor para você esquiar na água e todos os demais confortos de um condomínio fechado de Porto Alegre, além de um sistema de segurança quase, repito, quase invulnerável.

Feliz proprietário de um terreno, você agora tem que construir sua casa, obedecendo é claro ao plano-diretor do condomínio que abrange desde a altura do imóvel até o seu estilo.

O que fazemos nós, gaúchos, diante dessa fabulosa novidade? Aderimos, é claro.
Construímos as nossas casas que, de modo algum, podem ser inferiores às dos vizinhos, colocamos piscinas térmicas nos nossos terrenos para não precisar usar a comunitária, mobiliamos e equipamos a casa com o que tem de melhor, sobretudo na questão da tecnologia: internet, TV à cabo, plasma ou LCD, linhas telefônicas, enfim, veraneamos no litoral como se não tivéssemos saído da nossa casa na cidade.
Nossos veraneios costumam começar aí pela metade de janeiro e terminar aí pela metade de fevereiro, depende de quando cai o Carnaval. Somos um povo trabalhador, não costumamos ficar parados nas nossas praias.

Vamos para lá nas sextas-feiras de tarde e voltamos de lá nos domingos à noite. Quase todos na mesma hora, ida e volta.

É assim que, na sexta-feira, pelas quatro ou cinco da tarde, entramos no engarrafamento. Chegamos ao nosso condomínio lá pelas nove ou dez da noite. Usufruímos nosso novo estilo de veranear no sábado – manhã, tarde e noite – e no domingo, quando fechamos a casa.

Adoramos o trabalhão que dá para abrir, arrumar e prover a casa na sexta de noite, e o mesmo trabalhão que dá no domingo de noite.E nem vou contar quando, ao chegarmos, a geladeira estragou, o sistema elétrico pifou ou a empregada contratada para o fim-de-semana não veio. Temos, aqui no Sul, uma expressão regional que vou revelar ao resto do mundo:

– Graças a Deus que terminou essa bosta de veraneio!